Em algum momento na semana passada, de um dia para o outro, o outono começou. De repente as árvores mudaram de cor, começou a ventar e as folhas começaram a cair. Uma das experiências mais interessantes que se tem ao morar nesta latitude é ver a mudança das estações - drástica, muito clara e às vezes repentina.
Outono aqui é época de cogumelos - eles brotam por toda parte formando pequenas cidades futurísticas. Também é época de musgos nas raízes e nos troncos das árvores, e de folhagens avermelhadas, alaranjadas, amareladas - uma festa de cores voando pelas ruas e calçadas a cada rajada de vento.
É também época de muita chuva e muito, muito vento. Não há guarda-chuva que resista. Ou melhor, não havia. Pra enfrentar os temporais holandeses - com muito mais vento do que água - três estudantes da Universidade de Delft inventaram um guarda-chuva aerodinâmico que não vira do avesso. Ele tem um lado alongado que é sempre levado pra trás quando venta e por isso oferece menos resitência. Genial!
Harry (meu namorado) ganhou um de aniversário e logo vamos poder testar.
Os designers holandeses, aliás, são extremamente criativos e pode-se dizer que criaram uma 'marca' para o país nesta área. Eles fazem uma espécie de 'redesign', já que muitas vezes partem de objetos já existentes para criar coisas novas - e o melhor: quase sempre com um viés ecológico. Alguns dos nomes que se destacam são Piet Hein Eek, Jurgen Bey, Marcel Wanders, Hella Jongerius, Tord Bontje, Richard Hutten e o duo Job Smeets e Nynke Tynagel. E também Joep van Lieshout, que fica na fronteira do design e das artes plásticas.
Entre as marcas holandesas que reúnem vários designers legais, Droog Design e Moooi são duas das mais bacanas. Pra fazer compras, minha dica é a Frozen Fountain, no Prinsengracht 645, que tem coisas pra todos os bolsos.
Para trilha sonora deste início de outono, a cantora holandesa, de origem antilhana, Giovanca: "On my way".
domingo, 11 de outubro de 2009
sábado, 29 de agosto de 2009
Nada a ver com Amsterdã...
Assim que vi o último post publicado, percebi que este blog realmente parece ter despertado em mim uma vocação para a verborragia escrita - o que não é uma coisa evidente para quem me conhece, já que não sou de falar muito (não é?) - e me fez pensar em Proust (não se assuste com a aparente falta de modéstia, porque o que quero dizer não é bem isso...)
Lembro de ouvir sempre comentários de como Proust é difícil de ler por causa das frases longuíssimas, de 30 linhas, de mais de 4 metros de comprimento e outras medidas assustadoras, o que me fez adiar a leitura de seus livros por muito tempo. Acho que eu já tinha passado dos 40 quando li Proust pela primeira vez (completei 44 este mês e a partir de agora já estou oficialmente perdendo as contas). Foi uma grande revelação: as frases inacabáveis não tornavam a leitura mais difícil e sim mais fácil, porque a gente embarca num pensamento e é levado por ele. Pra mim, foi amor à primeira leitura.
Agora, no meu aniversário, uma amiga me deu de presente 'Como Proust pode mudar sua vida', de Alain de Botton, que eu já tinha lido em português, uns dez anos atrás, antes do primeiro contato com Proust, e agora releio, em inglês, de maneira totalmente diferente depois de finalmente saber do que ele está falando.
Não é o melhor livo de De Botton, mas tem boas sacadas e me trouxe uma lembrança ótima, que sempre me faz rir muito: o concurso do Monty Phyton 'All-England Summarize Proust Competition', em que os canditatos tinham que resumir 'Em busca do tempo perdido' em 15 segundos, primeiro em traje de banho e depois em traje de gala.
Um pouco de humor para o final de semana:
Lembro de ouvir sempre comentários de como Proust é difícil de ler por causa das frases longuíssimas, de 30 linhas, de mais de 4 metros de comprimento e outras medidas assustadoras, o que me fez adiar a leitura de seus livros por muito tempo. Acho que eu já tinha passado dos 40 quando li Proust pela primeira vez (completei 44 este mês e a partir de agora já estou oficialmente perdendo as contas). Foi uma grande revelação: as frases inacabáveis não tornavam a leitura mais difícil e sim mais fácil, porque a gente embarca num pensamento e é levado por ele. Pra mim, foi amor à primeira leitura.
Agora, no meu aniversário, uma amiga me deu de presente 'Como Proust pode mudar sua vida', de Alain de Botton, que eu já tinha lido em português, uns dez anos atrás, antes do primeiro contato com Proust, e agora releio, em inglês, de maneira totalmente diferente depois de finalmente saber do que ele está falando.
Não é o melhor livo de De Botton, mas tem boas sacadas e me trouxe uma lembrança ótima, que sempre me faz rir muito: o concurso do Monty Phyton 'All-England Summarize Proust Competition', em que os canditatos tinham que resumir 'Em busca do tempo perdido' em 15 segundos, primeiro em traje de banho e depois em traje de gala.
Um pouco de humor para o final de semana:
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quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Literatura pra viagem
Viajar de trem faz parte da rotina de muita gente que vive na Holanda. Como o país é muito pequeno, as pessoas não se dão o trabalho de mudar de cidade quando arrumam um emprego ou vão estudar em outro lugar. Simplesmente vão e voltam de trem todos os dias. É o caso do meu namorado, que há mais de 30 anos mora em Amsterdã e há 25 anos trabalha em Utrecht. E agora é o meu caso também, já que desde dezembro do ano passado estou trabalhando na Radio Nederland, que fica em Hilversum - onde aliás, ficam quase todas as rádios e TVs do país.
Hilversum fica a 30 km de Amsterdã, mas meu trem leva cerca de 40 minutos pra chegar lá, porque é um 'pinga-pinga'. Pára em todas as estações do caminho (5 ao todo, sem contar minha estação de saída, nem a de chegada). Há um trem direto, que leva apenas 15 minutos até lá, mas ele sai da Estação Central de Amsterdã, que fica a mais ou menos 20 minutos de onde eu moro, então, acho mais fácil ir de pinga-pinga mesmo, que aqui é chamado de 'stoptrein'.
Para aproveitar o tempo da viagem, tenho sempre um livro na bolsa e estabeleci que estes 80 minutos de trem, de segunda a sexta, são sempre dedicados à leitura. Tem sido ótimo, porque embora eu sempre tenha gostado muito de ler, às vezes passava semanas sem pegar num livro - revistas e jornais acabavam sempre ganhando prioridade.
E eu, naturalmente, não sou a única que lê no trem. Todo mundo lê no trem (exceto os menores de 25, que preferem passar o tempo ouvindo música ou escrevendo - no celular, é claro).
Os holandeses são apaixonados por livros. Todo mundo parece ler muito. Em qualquer aniversário, pelo menos metade dos presentes são livros. Quase todo mundo também parece já ter escrito um livro (!) e eles acham isso muito natural.
Claro que tem muita coisa ruim publicada aqui também e os best sellers são os mesmos que no resto do mundo. Mas a Holanda tem muitos autores interessantes - poucos publicados no Brasil, infelizmente (um projeto pra mim!)*
Talvez pelos os holandeses gostarem tanto de livros, a Holanda tem bibliotecas lindas. Não são aqueles prédios antigos, maravilhosos, lindos de olhar, como em outras cidades européias, mas lugares convidativos, agradáveis: bibliotecas que despertam a vontade de ler. Minhas favoritas são a de Maastricht e a Biblioteca Central de Amsterdã, a OBA (Openbare Bibliotheek Amsterdam). Ir até lá é sempre uma festa!
Dos livros que me acompanharam no trem este ano, dois favoritos: 'De ontsproten Picasso', da holandesa Bianca Stigter, e 'El fotógrafo belga', do chileno Ricardo Cuadros.
Por acaso, conheço os dois escritores, mas não é 'nepotismo' com os amigos. Bianca Stigter, aliás, nem é minha amiga - não porque eu não queira, porque ela me parece ser uma mulher muito interessante. Eu a conheci através de uma outra amiga, que era amiga do marido dela, o vídeo-artista e cineasta britânico Steve McQueen ('Hunger'). E ela, Bianca, é crítica de cinema de um jornal importante daqui, o NRC Handelsblad.
Já Ricardo Cuadros é um colega da Radio Nederland e agora também querido amigo. Um escritor maravilhoso que também merecia ser traduzido para o português e outras línguas.
'El fotógrafo belga' é um romance, uma espécie de 'road-book'. Mas o ponto forte do livro não é a história em si, mas sim o personagem central e a qualidade do texto de Ricardo.
Já 'De ontsproten Picasso' é uma reunião de textos curtos, divagações sobre curiosidades, vida e arte feitas por uma mulher erudita e antenada, no melhor sentido destes dois adjetivos. Um livro que me deixou com vontade de escrever também.
* Pra exercitar o projeto de tradução, aqui vai um pequeno texto sobre Amsterdã incluído em 'De ontsproten Picasso' (o título, aliás, significa algo como 'Picasso brotando')
Cidade dupla
Na esquina da Spiegelstraat com o Prinsengracht, em Amsterdã, vende-se frutas, vinhos, delicatessen, café, chá e outros produtos coloniais. Está nas letras bem desenhadas da fachada. Mas na vitrine estão móveis. No número 51 da Spiegelstraat isso acontece de novo. De acordo com a fachada é um açougue. Mas atrás da vidraça há copos. Carne vira antiguidade, café vira mesa. Os donos não negam o passado de suas lojas. Há padeiros onde antes havia açougueiros. Com as inscrições que não desapareceram, difíceis de serem apagadas simplesmente porque antigamente se usava materiais mais duradouros, surge quase uma cidade dupla. Dentro da cidade há uma outra cidade, de antigas palavras, inscrições, placas, fachadas. Legendas sem foto.
Aqui o escritor belga Tom Lanoye apresenta a OBA. O vídeo é em holandês, mas dá pra ter uma boa idéia de como é a biblioteca só pelas imagens.
Hilversum fica a 30 km de Amsterdã, mas meu trem leva cerca de 40 minutos pra chegar lá, porque é um 'pinga-pinga'. Pára em todas as estações do caminho (5 ao todo, sem contar minha estação de saída, nem a de chegada). Há um trem direto, que leva apenas 15 minutos até lá, mas ele sai da Estação Central de Amsterdã, que fica a mais ou menos 20 minutos de onde eu moro, então, acho mais fácil ir de pinga-pinga mesmo, que aqui é chamado de 'stoptrein'.
Para aproveitar o tempo da viagem, tenho sempre um livro na bolsa e estabeleci que estes 80 minutos de trem, de segunda a sexta, são sempre dedicados à leitura. Tem sido ótimo, porque embora eu sempre tenha gostado muito de ler, às vezes passava semanas sem pegar num livro - revistas e jornais acabavam sempre ganhando prioridade.
E eu, naturalmente, não sou a única que lê no trem. Todo mundo lê no trem (exceto os menores de 25, que preferem passar o tempo ouvindo música ou escrevendo - no celular, é claro).
Os holandeses são apaixonados por livros. Todo mundo parece ler muito. Em qualquer aniversário, pelo menos metade dos presentes são livros. Quase todo mundo também parece já ter escrito um livro (!) e eles acham isso muito natural.
Claro que tem muita coisa ruim publicada aqui também e os best sellers são os mesmos que no resto do mundo. Mas a Holanda tem muitos autores interessantes - poucos publicados no Brasil, infelizmente (um projeto pra mim!)*
Talvez pelos os holandeses gostarem tanto de livros, a Holanda tem bibliotecas lindas. Não são aqueles prédios antigos, maravilhosos, lindos de olhar, como em outras cidades européias, mas lugares convidativos, agradáveis: bibliotecas que despertam a vontade de ler. Minhas favoritas são a de Maastricht e a Biblioteca Central de Amsterdã, a OBA (Openbare Bibliotheek Amsterdam). Ir até lá é sempre uma festa!
Dos livros que me acompanharam no trem este ano, dois favoritos: 'De ontsproten Picasso', da holandesa Bianca Stigter, e 'El fotógrafo belga', do chileno Ricardo Cuadros.
Por acaso, conheço os dois escritores, mas não é 'nepotismo' com os amigos. Bianca Stigter, aliás, nem é minha amiga - não porque eu não queira, porque ela me parece ser uma mulher muito interessante. Eu a conheci através de uma outra amiga, que era amiga do marido dela, o vídeo-artista e cineasta britânico Steve McQueen ('Hunger'). E ela, Bianca, é crítica de cinema de um jornal importante daqui, o NRC Handelsblad.
Já Ricardo Cuadros é um colega da Radio Nederland e agora também querido amigo. Um escritor maravilhoso que também merecia ser traduzido para o português e outras línguas.
'El fotógrafo belga' é um romance, uma espécie de 'road-book'. Mas o ponto forte do livro não é a história em si, mas sim o personagem central e a qualidade do texto de Ricardo.
Já 'De ontsproten Picasso' é uma reunião de textos curtos, divagações sobre curiosidades, vida e arte feitas por uma mulher erudita e antenada, no melhor sentido destes dois adjetivos. Um livro que me deixou com vontade de escrever também.
* Pra exercitar o projeto de tradução, aqui vai um pequeno texto sobre Amsterdã incluído em 'De ontsproten Picasso' (o título, aliás, significa algo como 'Picasso brotando')
Cidade dupla
Na esquina da Spiegelstraat com o Prinsengracht, em Amsterdã, vende-se frutas, vinhos, delicatessen, café, chá e outros produtos coloniais. Está nas letras bem desenhadas da fachada. Mas na vitrine estão móveis. No número 51 da Spiegelstraat isso acontece de novo. De acordo com a fachada é um açougue. Mas atrás da vidraça há copos. Carne vira antiguidade, café vira mesa. Os donos não negam o passado de suas lojas. Há padeiros onde antes havia açougueiros. Com as inscrições que não desapareceram, difíceis de serem apagadas simplesmente porque antigamente se usava materiais mais duradouros, surge quase uma cidade dupla. Dentro da cidade há uma outra cidade, de antigas palavras, inscrições, placas, fachadas. Legendas sem foto.
Aqui o escritor belga Tom Lanoye apresenta a OBA. O vídeo é em holandês, mas dá pra ter uma boa idéia de como é a biblioteca só pelas imagens.
domingo, 2 de agosto de 2009
Gay Pride
A Parada do Orgulho Gay é sempre um dos dias mais animados em Amsterdã. Acontece, em geral, no primeiro final de semana de agosto. Ontem, a cidade estava lotada de gente alegre e bonita. Segundo as estimativas, 560 mil pessoas se reuniram ao longo do Prinsengracht - o canal por onde os barcos da parada passam (sim, aqui o desfile é de barcos!).
O número pode não parecer tão grande se comparado aos números de São Paulo ou Rio, mas é bom lembrar que Amsterdã é uma cidade bem menor que as metrópoles brasileiras - não chega a um milhão de habitantes.
Na parada, os barcos são como trios elétricos: cada um com som próprio e, quase sempre, trazendo um bloco com a mesma fantasia. Uma festa tanto para quem participa quanto para quem assiste.
Tentei fotografar, como faço todos os anos, mas cheguei tarde, não consegui um bom lugar e o mar de gente não me permitiu fazer muita coisa... (taí a foto do mar humano pra comprovar). Mas é claro que hoje já tinha um vídeo no You Tube, então está aí também. Veel plezier!
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quarta-feira, 22 de julho de 2009
Chega de verborragia
Tenho me achado meio chata e verborrágica neste blog. Juro que a intenção não era esta...
Pra não começar de novo a chorar pitangas nem dar uma de guia turístico, hoje vou escrever bem pouco e só deixar um presentinho do You Tube: Wende Snijders, cantora holandesa que nos últimos anos tem arrebatado platéias interpretando canções francesas (e belgas! Como esta, linda, do sempre maravilhoso Jacques Brel - 'Le plat pays')
Pra não começar de novo a chorar pitangas nem dar uma de guia turístico, hoje vou escrever bem pouco e só deixar um presentinho do You Tube: Wende Snijders, cantora holandesa que nos últimos anos tem arrebatado platéias interpretando canções francesas (e belgas! Como esta, linda, do sempre maravilhoso Jacques Brel - 'Le plat pays')
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domingo, 19 de julho de 2009
Do outro lado do IJ
Amsterdã é uma cidade cheia de segredos e surpresas. Mesmo quem vive aqui há muito tempo está sempre descobrindo coisas novas.
Meu mais recente ‘local preferido’ da cidade é a NDSM. A sigla vem de Nederlandsche Dok en Scheepsbouw Maatschappij (sociedade holandesa de docas e estaleiros). Fica na região norte, junto ao IJ (pronuncia-se ‘ai’), o braço d’água que liga Amsterdã ao mar.
Logo atrás da Estação Central – que é um prédio lindo do arquiteto P.J.H. Cuypers, construído entre 1881 e 1889 sobre três ilhas artificiais – pode-se pegar o ferry-boat (que aqui se chama pont) que leva até a NDSM. É de graça.
Já na chegada, um submarino semi-emergido e o Botel, um hotel-barco, chamam a atenção. A parada do pont é próxima à IJ-Kantine, um café-restaurante legal, mas um tanto caro. Explorando um pouco mais a região - que pode parecer um grande terreno baldio com barracões abandonados, mas não é -, um outro café, na minha opinião bem mais charmoso, o Noorderlicht, é o lugar perfeito para uma tarde de sol ou uma noite de verão.
Um dos barracões da NDSM é hoje um centro de cultura alternativa, com ateliês, teatro e pista de skate. Ali também rolam altas festas. É um destes lugares meio surreais, em que a gente se sente como personagem de um filme.
Abrindo hoje o site da NDSM, dei de cara com uma fotomontagem superbacana de Marc Faasse, que foi meu professor de fotografia (e é uma graça de holandês!). Ele inventou uma câmara suspensa que utiliza em muitos de seus trabalhos, criando imagens únicas, com um ponto de vista original (em muitos sentidos).
O vídeo abaixo é um clipe feito para o festival Over het IJ, que acontece sempre nas duas primeiras semanas de julho. É de 2007-2008, mas dá uma boa idéia do espírito da NDSM. Os espetáculos são apresentados dentro de contêineres ou ao ar livre, em locações das mais inesperadas...
Meu mais recente ‘local preferido’ da cidade é a NDSM. A sigla vem de Nederlandsche Dok en Scheepsbouw Maatschappij (sociedade holandesa de docas e estaleiros). Fica na região norte, junto ao IJ (pronuncia-se ‘ai’), o braço d’água que liga Amsterdã ao mar.
Logo atrás da Estação Central – que é um prédio lindo do arquiteto P.J.H. Cuypers, construído entre 1881 e 1889 sobre três ilhas artificiais – pode-se pegar o ferry-boat (que aqui se chama pont) que leva até a NDSM. É de graça.
Já na chegada, um submarino semi-emergido e o Botel, um hotel-barco, chamam a atenção. A parada do pont é próxima à IJ-Kantine, um café-restaurante legal, mas um tanto caro. Explorando um pouco mais a região - que pode parecer um grande terreno baldio com barracões abandonados, mas não é -, um outro café, na minha opinião bem mais charmoso, o Noorderlicht, é o lugar perfeito para uma tarde de sol ou uma noite de verão.
Um dos barracões da NDSM é hoje um centro de cultura alternativa, com ateliês, teatro e pista de skate. Ali também rolam altas festas. É um destes lugares meio surreais, em que a gente se sente como personagem de um filme.
Abrindo hoje o site da NDSM, dei de cara com uma fotomontagem superbacana de Marc Faasse, que foi meu professor de fotografia (e é uma graça de holandês!). Ele inventou uma câmara suspensa que utiliza em muitos de seus trabalhos, criando imagens únicas, com um ponto de vista original (em muitos sentidos).
O vídeo abaixo é um clipe feito para o festival Over het IJ, que acontece sempre nas duas primeiras semanas de julho. É de 2007-2008, mas dá uma boa idéia do espírito da NDSM. Os espetáculos são apresentados dentro de contêineres ou ao ar livre, em locações das mais inesperadas...
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sábado, 18 de julho de 2009
De graça pela cidade
Dois meses depois...
Entrei em 'crise existencial' e o blog foi a primeira coisa que deixei de lado. Por que será?
A crise existencial continua - na verdade, acho que no meu caso ela é crônica, mas às vezes se torna aguda, e foi o que aconteceu. Por sorte já passou.
Mudando de assunto e entrando no assunto que me trouxe ao blog nesta manhã de sábado (chuvoso, um dia de outono em pleno verão holandês), ontem traduzi uma matéria superinteressante de um colega da Radio Nederland para o site em português, Grátis: o cúmulo da reciclagem. O texto fala, entre outras coisas, sobre o livro "Free", do americano Chris Anderson, com sua teoria sobre produtos e serviços gratuitos.
Isso me fez pensar em todos os ótimos programas gratuitos que Amsterdã oferece. Um dos meus favoritos é o lunchconcert do Concertgebouw, um concerto na hora do almoço, sempre às quartas-feiras, com entrada franca. Como os concertos de música clássica aqui costumam ser muito caros, o lunchconcert é uma opotunidade única para ver grandes solistas e grandes maestros sem ter que desembolsar nada. Tem que chegar com alguma antecedência, porque os concertos são bem concorridos, mas a sala é grande, então são poucos os que ficam de fora.
Os concertos gratuitos são curtos - entre 30 e 45 minutos -, mas valem a pena. Eu já assisti a concertos na hora do almoço regidos por por Zubin Mehta, Colin Davis, Riccardo Chailly, Mariss Jansons (os dois últimos, os mais recentes regentes titulares da Orquestra do Concertgebouw, que é atualmente considerada a melhor do mundo). E o melhor, na minha opinião, é pegar os assentos atrás da orquestra, de onde se vê o maestro de frente, o que é uma experiência muito especial.
E os concertos na hora do almoço não acontecem apenas no Concertgebouw. A Stopera (como é popularmente chamado o prédio que reúne a prefeitura e a ópera) e o Muziekgebouw aan 't IJ têm seu lunchconcert às terça-feiras, a Westerkerk às sextas, e dando uma olhada na programação da cidade é possível encontrar outros, esporádicos, em igrejas, bibliotecas, etc. O horário é sempre o mesmo: 12h30.
A Bimhuis, o melhor palco para shows de jazz e world music de Amsterdã, também costuma ter apresentações gratuitas, às 20h30, nas segundas ou terça-feiras. Vale ficar de olho no site.
Durante o verão, o Vondelpark - o Central Park de Amsterdã - também tem uma boa programação de shows no Openluchttheater, o teatro ao ar livre. Em outro parque, o Amsterdamse Bos, a tradição é Shakespeare no BosTheater, sempre com grandes montagens. Este ano, "A Tempestade". As pessoas em geral vão mais cedo, com cestas de piquenique e garrafas de vinho, e fazem um programa grátis completo (se bem que, ali não é tão grátis assim... Embora não seja cobrada entrada, os artistas passam o chapéu no final da peça e espera-se que todo mundo dê algum trocado).
Em agosto, há também o Uitmarkt, uma espécie de festival que marca o início da temporada de espetáculos. Durante um fim de semana inteiro, vários espetáculos de teatro, música e dança que estarão em cartaz nos meses seguintes fazem sessões gratuitas ou apresentam pelo menos parte do show de graça.
Para a trilha sonora de hoje, 'Das Himmlische Leben', da Sinfonia n.4 de Mahler, com a solista Christinne Schafer e a Orquestra Real do Concertgebouw de Amsterdã, sob regência de um de seus maestros mais famosos, Bernard Haitink (Márcio, você havia me perguntado se ele ainda era vivo - completou 80 anos este ano!).
Entrei em 'crise existencial' e o blog foi a primeira coisa que deixei de lado. Por que será?
A crise existencial continua - na verdade, acho que no meu caso ela é crônica, mas às vezes se torna aguda, e foi o que aconteceu. Por sorte já passou.
Mudando de assunto e entrando no assunto que me trouxe ao blog nesta manhã de sábado (chuvoso, um dia de outono em pleno verão holandês), ontem traduzi uma matéria superinteressante de um colega da Radio Nederland para o site em português, Grátis: o cúmulo da reciclagem. O texto fala, entre outras coisas, sobre o livro "Free", do americano Chris Anderson, com sua teoria sobre produtos e serviços gratuitos.
Isso me fez pensar em todos os ótimos programas gratuitos que Amsterdã oferece. Um dos meus favoritos é o lunchconcert do Concertgebouw, um concerto na hora do almoço, sempre às quartas-feiras, com entrada franca. Como os concertos de música clássica aqui costumam ser muito caros, o lunchconcert é uma opotunidade única para ver grandes solistas e grandes maestros sem ter que desembolsar nada. Tem que chegar com alguma antecedência, porque os concertos são bem concorridos, mas a sala é grande, então são poucos os que ficam de fora.
Os concertos gratuitos são curtos - entre 30 e 45 minutos -, mas valem a pena. Eu já assisti a concertos na hora do almoço regidos por por Zubin Mehta, Colin Davis, Riccardo Chailly, Mariss Jansons (os dois últimos, os mais recentes regentes titulares da Orquestra do Concertgebouw, que é atualmente considerada a melhor do mundo). E o melhor, na minha opinião, é pegar os assentos atrás da orquestra, de onde se vê o maestro de frente, o que é uma experiência muito especial.
E os concertos na hora do almoço não acontecem apenas no Concertgebouw. A Stopera (como é popularmente chamado o prédio que reúne a prefeitura e a ópera) e o Muziekgebouw aan 't IJ têm seu lunchconcert às terça-feiras, a Westerkerk às sextas, e dando uma olhada na programação da cidade é possível encontrar outros, esporádicos, em igrejas, bibliotecas, etc. O horário é sempre o mesmo: 12h30.
A Bimhuis, o melhor palco para shows de jazz e world music de Amsterdã, também costuma ter apresentações gratuitas, às 20h30, nas segundas ou terça-feiras. Vale ficar de olho no site.
Durante o verão, o Vondelpark - o Central Park de Amsterdã - também tem uma boa programação de shows no Openluchttheater, o teatro ao ar livre. Em outro parque, o Amsterdamse Bos, a tradição é Shakespeare no BosTheater, sempre com grandes montagens. Este ano, "A Tempestade". As pessoas em geral vão mais cedo, com cestas de piquenique e garrafas de vinho, e fazem um programa grátis completo (se bem que, ali não é tão grátis assim... Embora não seja cobrada entrada, os artistas passam o chapéu no final da peça e espera-se que todo mundo dê algum trocado).
Em agosto, há também o Uitmarkt, uma espécie de festival que marca o início da temporada de espetáculos. Durante um fim de semana inteiro, vários espetáculos de teatro, música e dança que estarão em cartaz nos meses seguintes fazem sessões gratuitas ou apresentam pelo menos parte do show de graça.
Para a trilha sonora de hoje, 'Das Himmlische Leben', da Sinfonia n.4 de Mahler, com a solista Christinne Schafer e a Orquestra Real do Concertgebouw de Amsterdã, sob regência de um de seus maestros mais famosos, Bernard Haitink (Márcio, você havia me perguntado se ele ainda era vivo - completou 80 anos este ano!).
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